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Avaliação para a prescrição de exercícios físicos


E
m analogia com a prescrição de fármacos ou de dietas alimentares, a prescrição de exercícios físicos é um processo mediante o qual são recomendados ao indivíduo esforços físicos que, ao serem executados de maneira sistemática e individualizada, deverão induzir as adaptações desejadas no organismo. Nesse particular, para que um programa de exercícios físicos possa ser seguro e venha a apresentar repercussões positivas em termos de promoção da saúde, torna-se necessário planejar, organizar, prescrever e orientar os estímulos físicos observando certos pressupostos básicos.
    Inicialmente, esse programa de exercícios físicos deverá envolver todos os componentes voltados à dimensão funcional-motora: resistência cardiorrespiratória, força/resistência muscular e flexibilidade; e, dessa forma, interferir favoravelmente nas dimensões morfológicas, fisiológicas e comportamental da aptidão física relacionada à saúde.
    Seus estímulos, além disso, deverão acompanhar os três princípios biológicos voltados à relação esforço físico-adaptações funcionais e orgânicas; ou seja, o princípio da sobrecarga, progressão e individualidade, o princípio da especificidade e o princípio da resersibilidade. Os componentes freqüência, duração, intensidade, disposição seqüencial e tipo de exercício físico também são aspectos importantes a serem considerados na elaboração dos programas de exercícios físicos.
    Contudo, o elemento essencial na prescrição de programas de exercícios físicos é a realização de avaliação prévia e atualizada periodicamente, a fim de obter subsídios quanto às reais condições do indivíduo e, com isso, promover ajustes nos estímulos oferecidos, procurando maximizar seus resultados.
    Para prescrever programas de exercícios físicos de maneira coerente, com intenção de afastar ao máximo a probabilidade de ocorrerem acidentes e que possa atender adequadamente às necessidades e aos interesses de seus participantes, é necessário conhecimento preciso do indivíduo em questão. O esperado é que os profissionais voltados à prescrição e à orientação dos programas de exercícios físicos encontrem, na formação de qualquer grupo, variações individuais quanto aos aspectos fisiológicos, psicológicos e culturais que justifiquem uma atitude personalizada na proposição dos esforços físicos.
    Além da idade e do sexo, essas variações são atribuídas basicamente ao estado de saúde, aos hábitos de vida e, sobretudo, às experiências quanto à prática de exercícios físicos e, conseqüentemente, os níveis de aptidão física. Portanto, estar informado quanto a essas variações individuais, mediante rotina de avaliação das reais condições individuais, torna-se de fundamental importância na determinação do potencial de cada um. E com base nessas informações, estabelecer as características iniciais dos esforços físicos a serem desenvolvidos, promovendo, na seqüência, as eventuais modificações necessárias.
    A falta de avaliação prévia que venha a subsidiar as decisões na elaboração dos programas de exercícios físicos pode ocasionar o estabelecimento de esforços físicos não adequados, levando ao desencorajamento para participar das atividades programadas. Prescrições incorretas também podem levar a desgastes funcionais e orgânicos indevidos, induzindo à fadiga psicológica e física excessivas, a graves lesões ortopédicas e ao risco de precipitação de acidentes cardiovasculares.
    As informações contidas na rotina de avaliação voltada à prescrição e à orientação dos programas de exercícios físicos geralmente incluem exame médico com análise dos fatores de risco das doenças crônico-degenerativas e perfil dos níveis de aptidão física direcionada à saúde.
    Quanto aos exames médicos, mesmo aparentemente não havendo qualquer dúvida acerca do estado de saúde do indivíduo, este deve ser submetido a minuciosa avaliação clínica, especialmente aquele que até então havia incorporado hábitos de vida mais sedentários. A principal causa de desistências nos estágios iniciais dos programas de exercícios físicos está associada aos desconfortos provocados por determinado tipo de exercício, no momento muitas vezes contra-indicado para as condições apresentadas pelo praticante.
    Os protocolos empregados nos exames médicos devem incluir o maior número de informações possível. Obviamente, quanto mais completas e precisas forem as informações sobre o indivíduo, mais segura e acurada será a prescrição dos exercícios físicos. No entanto, muitas vezes pelo custo considerável para o sistema médico, essas condições ideais não são possíveis. Dessa forma, dependendo da idade e dos hábitos de vida, pode haver alguma simplificação.
    Todavia, é conveniente que, previamente ao início da participação em programas regulares de exercícios físicos, todos os indivíduos pelo menos sejam submetidos a uma anamnese clínica, e aqueles com mais de 30-35 anos, além da anamnese clínica, ao perfil dos fatores de risco, a fim de diferenciar aqueles portadores de alto e baixo risco.
    Vencida essa primeira etapa da avaliação, o indivíduo estaria em condições de se submeter aos procedimentos direcionados à determinação dos níveis de aptidão física relacionada à saúde. Esses procedimentos envolvem informações quanto às dimensões morfológicas e funcional-motoras.
    Na dimensão morfológica, informações quanto aos parâmetros da composição corporal, mediante dados relacionados com a quantidade e distribuição da gordura corporal e da massa magra, são os de maior significado. Na dimensão funcional-motora deverão ser incluídos dados quanto à estimativa do consumo máximo de oxigênio, força/resistência muscular e flexibilidade.
    Tão logo o exame médico tenha sido realizado e os níveis de aptidão física sejam conhecidos, o programa de exercício físico deverá ser prescrito. De posse dessas informações, são traçadas, para cada indivíduo, metas específicas segundo as necessidades e as potencialidades evidenciadas pelas avaliações prévias. Uma prescrição de exercícios físicos segura e efetiva está alicerçada em informações prévias que possam traduzir o estado presente do indivíduo. Reavaliações periódicas também são úteis para acompanhar o estado individual diante do exercício físico e como instrumento de motivação para continuar sua prática, além de necessárias para atualização dos parâmetros de prescrição.

Dartagnan Pinto Guedes é doutor em Biodinâmica do Movimento Humano e autor dos livros “Composição Corporal”, “Exercício Físico na Promoção da Saúde”, “Controle de peso corporal” entre outros.

 

Publicações

 

Condicionamento Físico e Saúde
Brian J. Sharkey - 1998

Escrito para adultos de todas as idades, este livro é especialmente dirigido para o indivíduo que quer desenvolver um entendimento mais profundo, para o entusiasta que quer saber por que e como o corpo responde, para o novato que necessita de mais motivação e para o cético que necessita de mais provas. O livro procura enfatizar a importância da atividade física, destacando uma das mais excitantes mensagens de saúde pública do nosso tempo.

Nesta obra, o leitor encontrará os seguintes assuntos:

  • a importância da atividade física regular e moderada e a descrição de como a vida ativa contribui para a saúde física e mental e para a qualidade de vida;
  • os benefícios de uma capacidade aeróbica e muscular aumentada;
  • tudo o que é preciso saber sobre capacidade aeróbica e informações e orientações sobre treinamento de capacidade muscular;
  • informações atualizadas sobre nutrição e controle de peso corporal;
  • como aumentar o desempenho no trabalho e no esporte e conviver com o ambiente;
  • uma visão expandida da psicologia da atividade e a discussão do papel da atividade no envelhecimento e longevidade;
  • formas de melhorar sua vida pessoal, de sua família e de sua comunidade, além da importância do ambiente para a saúde, aptidão e qualidade de vida;
  • informações úteis em tabelas e gráficos e procedimentos de testagem e programas de aptidão comprovados.
Editora Artes Médicas Sul Ltda
Av. Jerônimo de Ornellas 670
CEP. 90040-340 – Porto Alegre – RS.
Fone: 0 XX 51 330-3444
http://www.artmed.com.br

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Exercício e Saúde
David C. Nieman - 1999

O livro apresenta os pontos essenciais do que a atividade física pode e não pode fazer para prevenir, reduzir ou controlar os principais problemas de saúde, como cardiopatia, diabetes, câncer, hipertensão arterial, asma, artrite, osteoporose e lombalgia. Também possui uma seção completa sobre os problemas de condicionamento e de atividade física específicos das crianças, adolescentes, mulheres e idosos. De fácil leitura e com muitas referências, esta obra procura informar sobre como fazer do exercício físico um método para se manter saudável.

Editora Manole Ltda
Rua Conselheiro Ramalho 516
CEP. 01325-000 – São Paulo – SP.
Fone: 0 XX 11 283-5866
http://www.manole.com.br
 

Pesquisas

 

Ateroesclerose se inicia na adolescência

Pesquisadores americanos verificaram que a ateroesclerose pode ser demonstrada em adolescentes de 15 anos e acreditam que a prevenção primária deva começar ainda mais cedo. O estudo do tipo multicentrico foi realizado com 2876 autópsias em indivíduos entre 15 e 34 anos que faleceram por outras causas na tentativa de avaliar as proporções da ateroesclerose neste grupo etário. Os pesquisadores observaram lesões ateroescleróticas em indivíduos tão jovens quanto 15 anos. No grupo de 15 a 19 anos, em 100% das autópsias foram detectadas lesões da camada íntima da aorta e em mais de 50% lesões na artéria coronária direita. Os pesquisadores alertam que baseado nestes achados os jovens devem ser alvo de campanhas de prevenção primária de doença coronariana pois, assim seriam atingidos melhores resultados.

JAMA, v.281, p.727-735, 1999.

Caminhar até o trabalho diminui risco cardiovascular

Pesquisas realizadas no Japão demonstraram que a caminhada até o trabalho, feita de forma regular, pode reduzir o risco de doença coronariana e hipertensão em homens. O estudo foi realizado com os dados de cerca de 6 mil trabalhadores japoneses do sexo masculino, com idades entre 35 e 60 anos. Os pesquisadores observaram que a caminhada até o trabalho feita de forma regular e com duração entre 11 e 21 minutos pode reduzir em 12% o risco de hipertensão, sendo que a caminhada maior do que 21 minutos pode reduzir ainda mais este risco (29%) quando comparadas a caminhada com duração inferior de 10 minutos. Os pesquisadores calculam que para cada 26 homens que caminham pelo menos 20 minutos seja prevenido um caso de hipertensão arterial. Os autores concluem que a recomendação de caminhar até o trabalho deve ser feita juntamente com as recomendações de perda de peso corporal, redução da ingestão de álcool e de exercícios físicos para os homens.

Annals of Internal Medicine, v.130, p.21-26, 1999.

Dieta rica em fibras reduz risco de doenças cardíaca em mulheres

Estudos realizados na Suécia demonstraram que mulheres que ingerem grande quantidade de fibras, principalmente as provenientes de cereais, apresentam menor risco de doença coronariana. Os dados foram extraídos do Nurses’ Health Study com cerca de 69 mil mulheres entre 37 e 64 anos de idade e que foram acompanhadas em média por 10 anos. Foram excluídas as mulheres com história de câncer, AVC, infarto do miocárdio, angina, hipercoleterolemia e diabetes ao início do estudo. Os pesquisadores avaliaram a dieta das participantes em três períodos para obter estimativa acerca da quantidade de fibras ingeridas. Foram identificados no período 591 episódios cardiovasculares importantes e 162 mortes relacionadas a esses eventos. Com isso, foi possível observar que o risco relativo de doença cardiovascular foi 0,53 para os pacientes que ingeriram maiores quantidades de fibras (média de 22,9 gramas) quando comparados com as mulheres com menor ingestão (média de 11,5 gramas). Os autores observaram ainda que apenas as fibras provenientes de cereais estiveram significativamente associadas a diminuição do risco de doenças cardiovasculares. Sendo que para cada acréscimo de 5 gramas por dia de fibras ocorreu uma diminuição de 37% nesse risco. Os autores concluem afirmando que estes achados reforçam a necessidade de troca dos cereais refinados pelos produtos em grãos.

JAMA, v.281, p.1998-2004, 1999.

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Sapaf NEWS
Publicação interna da Infodata Informática
Setembro - 1999
Direção geral:
Juliano Di Luca

Direção executiva:
Leonardo Almeida de Oliveira
Consultor técnico-científico:
Dartagnan Pinto Guedes

Projeto gráfico e editoração:
Juliano Di Luca
Sandro Di Luca
Impressão:
Midiograf

25.000 exemplares
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